É bastante provável que o modo como o indivíduo
se coloca corporalmente, posiciona sua cabeça e ombros,
movimenta seus membros e tronco, esteja relacionado às
suas primeiras experiências condicionadoras.
É bem
sabido, por exemplo, que a pessoa ansiosa, seja ela bebê,
criança ou adulta, tende a enrijecer seus músculos,
a erguer demasiadamente os ombros, e até mesmo ficar com
olho penetrante. Estas condições vêm junto
com palidez e secura da pele. Nos estados de ansiedade e medo
a temperatura da pele tende a cair, presumivelmente em conseqüência
da constrição dos vasos sangüíneos que
a alimentam.
Em situações
embaraçosas ou agradáveis é provável
que se dê o efeito oposto, a temperatura da pele sobe e
com o rubor, o aumento do calibre dos vasos sangüíneos
produz um enrubescimento da pele.
O Dr. P. Lacombe descreveu um caso de uma mulher neurótica
e depressiva, além de neurodermatose. Sua avó tinha
dado à sua mãe um mínimo de atenção
tátil durante sua infância e sua própria mãe
também falhara no mesmo sentido. Lacombe considera que
o distúrbio dessa paciente é a expressão
de uma perda no vínculo materno filial de dependência,
do que resultou na fixação pela mãe, visto
que perder a mãe seria o mesmo que perder o ego. O cão
de estimação da paciente também sofria de
problemas de pele, que seria a identificação com
a dona pois “ a percepção do si mesmo corporal
e o que a pessoa sente e conhece de seu corpo é a pele”.
O comportamento e as motivações de todos os bebês
são dirigidos à manutenção do contato
com a mãe. A busca de contato é o fundamento através
da qual se desenvolvem todos os comportamentos subseqüentes.
Quando essa busca de contato é frustada, o bebê se
vale de comportamentos tais como agarrar partes de si mesmo, chupar
dedos, balançar-se. Estes comportamentos constituem numa
regressão à estimulação pelo movimento
passivo que experimentou dentro do útero. O bebê
só fica desesperado quando é separado da mãe.
“Não é biológico pôr bebês
em berços. É sintomático que os bebês
chorem de solidão numa freqüência anormal, em
nossa cultura, ao passo que dificilmente isso é verificado
em primatas e culturas tribais. (Wickler)”.
Psicologicamente, tanto a mãe quanto o bebê experimentam
muito mais vantagens com o mais íntimo contato possível
logo após o nascimento. O que aparentemente não
recebeu suficiente atenção foi o estudo dos efeitos
que ocorrem na mãe quando o bebê é afastado
dela. Depoimento de uma mãe que foi orientada à
não “mimar” o filho.
“Disseram-me que os bebês não deviam ser
segurados”;
Que isso iria mimá-los e fazê-lo chorar.
Eu queria fazer o melhor para eles,
E os anos se passaram rapidamente
Agora estão vazios meus braços saudosos;
Não existe mais a sublime sensação
Se eu tivesse de volta meus bebês,
Ficaria com eles nos braços o tempo todo!”
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